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Esta obra de Genival Silva e Fernando Aureliano propõe corredores logísticos integrados e uma agência reguladora de longo prazo para destravar gargalo estimado em US$ 1 trilhão em investimentos.
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A obra é assinada por Genival Silva, mestre em Agronegócio pela FGV/ESALQ, com Executive MBA em Harvard Business School, pós-graduação pela USP e pela ADESG, e atuação no mercado de capitais com foco em funding para infraestrutura do agronegócio, além de professor convidado da FGV/SP; e por Fernando Aureliano, também mestre em Agronegócio pela FGV/ESALQ, com mais de 25 anos de experiência em projetos e supply chain, MBAs pela UC Irvine e pela FGV/SP, formação complementar em negociação por Harvard e em inovação por Stanford, e igualmente professor convidado da FGV/SP.
O livro parte de uma constatação central, que os autores resumem como o “paradoxo do gigante”: o Brasil já responde por 27% do seu Produto Interno Bruto vindo do agronegócio e lidera a produção mundial de alimentos, mas essa força “dentro da porteira” — tecnologia de ponta, alta produtividade, liderança incontestável no campo — convive com uma fragilidade estrutural “fora da porteira”: rodovias precárias, baixa capilaridade ferroviária e posição vulnerável do país nos rankings globais de desempenho logístico (LPI).
A obra descreve essa distância entre excelência produtiva e ineficiência distributiva como uma equação implacável, na qual a própria dimensão geográfica do país e a concentração da produção em determinadas regiões amplificam a pressão sobre uma infraestrutura que, segundo os autores, é mais herança de um passado distante do que base para um futuro próspero. Os autores alertam ainda para um “efeito dominó”: como o agronegócio tem peso relevante no PIB nacional, os gargalos logísticos do setor acabam por repercutir sobre toda a economia brasileira, o que torna a modernização da infraestrutura uma questão que extrapola o interesse do agro e se torna uma pauta macroeconômica.
Para quantificar esse gargalo, o livro apresenta o que chama de “o custo do atraso”: destravar a infraestrutura logística do agronegócio exigiria um esforço de capital (CAPEX) da ordem de US$ 1 trilhão, entendido pelos autores como a “engenharia financeira da transformação”, somado a um custo operacional (OPEX) recorrente estimado em US$ 70 bilhões por ano, necessário para manter o sistema funcionando com eficiência ao longo do tempo. Segundo a obra, esse não é apenas um problema financeiro, mas um custo estratégico: cada ano de atraso na modernização aumenta a vulnerabilidade do país diante de concorrentes diretos na produção agrícola global, como Estados Unidos e China, comprometendo a competitividade brasileira num mercado em que a eficiência logística é cada vez mais decisiva.
Diante desse diagnóstico, o livro dedica boa parte de suas páginas a propostas concretas de reestruturação. A principal delas é a criação dos chamados Corredores Integrados de Valor (CIV), concebidos como o eixo estruturante de toda a transformação proposta: em vez de tratar armazenagem, hubs logísticos, hidrovias, ferrovias, rodovias e portos como elos isolados, a obra defende que esses seis componentes sejam planejados e operados de forma sistêmica, reduzindo perdas pós-colheita, integrando modais de transporte, explorando a hidrovia como alternativa mais barata e eficiente, ampliando a capacidade de carga em escala das ferrovias, garantindo conectividade de última milha pelas rodovias e assegurando portos como porta de entrada eficiente para o mercado global. Como resumem os autores, a solução não é consertar uma peça isolada do sistema, mas redesenhar o motor inteiro.
Essa transformação, no entanto, esbarra num problema recorrente na infraestrutura brasileira: a descontinuidade de projetos de longo prazo diante de mudanças de governo e crises políticas. O livro chama esse desafio de “o fantasma da corrupção” — a desconfiança que historicamente acompanha todo grande projeto de infraestrutura no país — e propõe como resposta a criação de uma Agência Nacional de Corredores Logísticos (ANCL), pensada como guardiã da continuidade institucional dessas obras. A ideia é que a ANCL sustente um “pacto de 50 anos”, uma blindagem contra descontinuidades políticas capaz de oferecer o que os autores chamam de “escudo do investidor”: uma porta estreita para entrar no sistema, mas uma muralha de proteção para quem já investiu.
Sobre a viabilização financeira desse pacto, o livro aponta a necessidade de uma reengenharia do marco fiscal que permita atrair investimento privado por meio de instrumentos como parcerias público-privadas (PPPs), debêntures de infraestrutura e fundos soberanos, além de defender que a transição para esse novo modelo logístico seja conduzida de forma justa, preservando o papel do caminhoneiro como protagonista da mudança, e não como vítima dela.